11 Novembro 2009

para te escrever eu antes me perfumo toda

clarice



volto quando houver trégua da vida que vem me afogando em fúria e alegria, dia após dia, pelas noites quentes de novembro, até sempre. felicidade bate à porta, chico disse pecado se eu não atender

24 Outubro 2009

a poesia é proibida para os jornalistas

..

(...)
Não me leias se buscas
flamante novidade
ou sopro de Camões.
Aquilo que revelo
e o mais que segue oculto
em vítreos alçapões
são notícias humanas,
simples estar-no-mundo,
e brincos de palavra,
um não-estar-estando,
mas de tal jeito urdidos
o jogo e a confissão
que nem distingo eu mesmo
o vivido e o inventado.
(...)

drummond

22 Outubro 2009

amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.


drummond
o mar batia em meu peito,
não batia no cais


drummond

18 Outubro 2009

usually when things has gone this far
people tend to disappear

qualquer outro sono seria supérfluo, era uma daquelas noites frias lá fora e quentes, quentes, incômodas. havia um coração correndo em fuga e pensamentos feito flechas, fazendo sombra entre as cortinas. como quando você fecha os olhos só pra dar de sentir de novo o cheiro das memórias - memórias que são dores, ardores, consolos. a noite, cúmplice, não diz nada até que o dia chegue. se despede em sussurro e deixa ficar uma ou duas emoções sem nome, pra que aguentemos sem morrer de saudade até o próximo anoitecer. que sabemos que virá. mas que mata aos poucos, segundo a segundo, de saudade, de paixão e de lamento.

15 Outubro 2009

Um nojo, vez em quando me dá asco - nojo é culpa, nojo é moral - você se sente sórdido, baby?

caio, de novo.

29 Setembro 2009

Os dragões param sempre do lado esquerdo das pessoas, para conversar direto com o coração

caio f.

28 Setembro 2009

você corre.
escuro e escorregadio, você corre. carrega contigo a força da pressa, da vontade. o ideal da conquista. os objetivos marcados em cada passo, em cada movimento. você dança. delicadas elevações, preparações corpóreas, o treinamento insistente e cansativo das sequências preparadas com cuidado e sem desculpas. você joga. é um jogo mal amado de exaustão, coragem e equilíbrio. o medo não existe. o mundo não existe, está todo condensado em você. uma curva errada e tudo se perde. a beleza intrínseca do limite material, do extremo, a superação estampada sob holofotes curvados e luminescentes, coloridos, holofotes híbridos na surpresa e na negação. nada está no lugar, mas tudo está sob controle. o controle, você.
você pisca.
entre um movimento e outro estão seus olhos. limpos. como em todos os olhos, um mar de profundidades, serenas e delicadas, quase nunca perceptíveis. você corre, mas não seus olhos. acompanham simplesmente, com a sutilidade indigna de um gato. ao primeiro olhar, completude. ao segundo, concentração. ao terceiro, desespero.
você pisca.
o desespero instantâneo, quase sádico, da percepção. você pulsa. mantém os movimentos equacionados, os passos no lugar, um automatismo do corpo experiente. enquanto isso, o grito. o corpo experiente e insatisfeito como todos os outros corpos. o corpo que obedece da forma única de obedecer, mantendo sutil o grito de rebeldia que não será ouvido senão por outro corpo. um outro corpo que, embora estático, pulse. que corpos são como bocas: obedientes mas mestres na arte da dissimulação, perigos constantes e ameaçadores ao controle imaginado. o corpo grita, sem controle. já não se ouvem passos, só o ofegar, cúmplice do coração. ao segundo olhar, movimentos não tão objetivos. estremecidos. curvas propositais, esculpidas inteiras em impulso, mas jamais despidas da beleza. os olhos são os mesmos. nada está no lugar, mas tudo está sob controle. o controle, corpo.
você obedece.